
-Então é isso, não é?
-Então o quê?
-Acabou.
-O quê acabou?
-Não é possível, você está se fazendo de boba até num momento sério como esse.
-Eu não estou me fazendo de boba. Fiz uma pergunta simples, porque estou confusa.
-Pois muito bem, se você quer saber o que acabou, eu digo: o nosso relacionamento, o meu amor por você.
-Acabou? Por que?
-A resposta você mesma já deu. Acabou porque você é confusa demais e o meu amor precisa de segurança e não de imprecisão.
-Nunca pensei que o amor precisasse de racionalidade pra se sustentar. Pelo menos o meu amor transcende a razão.
Silêncio.
-Ainda te amo.
-Eu sei.
-É só isso que tem a dizer?
-Não.
-Então diz, porque estou aqui, como sempre estive, ouvindo.
-Sinto muito, mas o que tenho a dizer não lhe agrada.
-Ainda assim quero ouvir.
-Você sabe que sempre te amei muito. Larguei toda minha vida pra arriscar uma vida nova com você. Me joguei sem medo nos teus braços e de tudo que o mundo podia oferecer me bastava seu sorriso. O nosso amor me consumiu, mas agora ele sumiu. Quero voltar pra minha antiga vida, onde eu dormia enlaçado pela segurança e embalado pela estabilidade. Pra mim chega de confusão. Chega de você.
-Acabou?
-Sim.
Silêncio
-Você não vai dizer nada?
-Não.
-Como não? Eu digo que o nosso relacionamento acabou e a única coisa que você vai fazer é ficar calada?
-É.
-Não acredito. Por que,hein?
-Porque tudo que eu disser será inútil. A única coisa que eu desejo é o seu amor, mas isso eu já não tenho mais, então prefiro o silêncio pra me acostumar com o vazio da minha alma.
Mais uma vez o silêncio tomou conta do ambiente, mas não como outrora. O silêncio agora era consequência do beijo dos amantes.